Dá para bloquear o CPF?
Não de uma vez. Não há um botão que tranque o CPF em todos os lugares. O que existe são proteções separadas: uma impede que abram empresa no seu nome, outra impede que abram conta em banco, outra mostra as linhas de celular ligadas a você. Cada uma é ativada em um site diferente, quase sempre com a sua conta gov.br.
Vale ativar as que bloqueiam e consultar de tempos em tempos as que só mostram. Todas abaixo são gratuitas.
Empresas: impeça que abram CNPJ com seu CPF
A Receita Federal oferece a Proteção do CPF, que impede que seu CPF seja incluído em uma empresa sem você querer. Ela vale em todo o país, em todos os órgãos de registro (Juntas Comerciais, cartórios de registro de pessoas jurídicas e OAB) e para todos os tipos de empresa, inclusive MEI e Inova Simples. Cobre qualquer papel no quadro societário: titular, sócio, representante, administrador.
- Acesse Proteger meu CPF, no Portal Redesim.
- Entre com a sua conta gov.br. O nível bronze basta para proteger.
- Escolha Impedir participação e confirme.
A proteção vale para novas inclusões a partir do pedido. Ela não muda as empresas de que você já faz parte. Se um dia quiser abrir uma empresa, volte ao mesmo serviço e escolha Permitir participação: para isso a conta gov.br precisa ser prata ou ouro.
Contas em banco: ative o BC Protege+
O BC Protege+ é um serviço do Banco Central criado pela Resolução BCB nº 475/2025. Com ele ativo, bancos e outras instituições não podem abrir conta corrente, poupança ou conta de pagamento pré-paga no seu CPF, nem incluir você como titular ou representante em contas de outras pessoas. Antes de abrir uma conta, toda instituição é obrigada a consultar o sistema.
- Entre no Meu BC com a conta gov.br prata ou ouro, com a verificação em duas etapas habilitada.
- Abra o BC Protege+ e ative a proteção no quadro de abertura e inclusão de contas.
A ativação é imediata. Quando você mesmo quiser abrir uma conta, desative a proteção por até 30 dias ou por um período que você escolhe. O Histórico de consultas, na mesma página, mostra quais instituições verificaram se a sua proteção estava ativa.
Crédito: confira o Registrato
O Registrato, também no Meu BC, não bloqueia nada, mas mostra o que está no seu nome no sistema financeiro. É gratuito e pede a conta gov.br prata ou ouro.
- Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR): suas dívidas com bancos e financeiras. Serve para ver se existe uma dívida que você não contratou.
- Relatório de Contas e Relacionamentos em Bancos (CCS): em quais bancos você tem ou teve conta, investimento ou outro relacionamento.
- Relatórios de chaves Pix: as chaves Pix cadastradas com seus dados.
Se aparecer algo que você não reconhece, procure a instituição indicada no relatório. Como ler cada relatório está em onde meu CPF está exposto.
Linhas de celular: consulte o Cadastro Pré
O Cadastro Pré é um portal das operadoras Algar, Claro, Oi, Sercomtel, TIM e Vivo, parte de uma iniciativa da Anatel. Você informa seu CPF e ele mostra em quais operadoras há linhas pré-pagas ativas no seu nome. Por privacidade, não mostra o número nem a quantidade de linhas.
É uma consulta, não um bloqueio. Se aparecer uma operadora em que você não tem linha pré-paga, entre em contato com ela pelos canais de atendimento e peça o cancelamento.
Buscas no Google: peça a remoção dos resultados
Na página Privacidade nos resultados sobre você, o Google procura resultados da Pesquisa que mostram seu endereço, telefone, e-mail ou documentos como o CPF. Você pede a remoção de cada um ali mesmo e pode receber um e-mail quando aparecer um resultado novo. O recurso exige a sua própria conta Google e ainda está sendo liberado para maiores de 18 anos em parte dos países.
Ele tira o resultado da Pesquisa Google, não do site que publicou. A página continua no ar para quem a acessar direto.
Sites de consulta: peça a eliminação pela LGPD
Os sites de consulta mostram nome, CPF, endereço, telefones e parentes para quem pesquisar. Nenhuma ferramenta oficial bloqueia essa exposição. O caminho é o pedido previsto na Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), feito a cada empresa:
- confirmação de que ela trata seus dados e acesso a eles (art. 18, I e II)
- anonimização, bloqueio ou eliminação dos dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade com a lei (art. 18, IV)
- oposição ao tratamento que descumpre a lei (art. 18, §2º)
Você pode enviar o pedido sozinho, com o modelo de pedido de exclusão. Alguns sites oferecem um botão de bloquear CPF: ele esconde seus dados naquele site, e só nele.
Nem todo pedido termina em eliminação. Uma empresa pode recusar com base legal, como a proteção do crédito ou um registro público. Se ela não responder, veja o que fazer quando a empresa não responde.
O que a mEsquece faz e o que não faz
A mEsquece não bloqueia nada e não substitui nenhuma das proteções acima. Ela atua só na exposição. Com a autorização que você dá pelo gov.br, envia os pedidos da LGPD em seu nome (art. 18, §3º) às empresas do catálogo dela, por e-mail ou pelo formulário da própria empresa. Depois acompanha o prazo, reitera o pedido sem resposta e mostra cada resposta na sua conta. Se a empresa recusar ou ficar em silêncio, ela prepara a petição à ANPD que você envia pelo gov.br.
Ela não varre a internet inteira, não monitora a dark web, não oferece proteção de crédito e não limpa nome. Também não é escritório de advocacia. Está em piloto, com entrada por convite. Como funciona em detalhes está em como funciona.
Por onde começar
- Ative a Proteção do CPF no Portal Redesim.
- Ative o BC Protege+ no Meu BC.
- Baixe os relatórios do Registrato e confira o que está no seu nome.
- Consulte o Cadastro Pré.
- Ative a Privacidade nos resultados sobre você, no Google.
- Veja em quais sites de consulta você aparece e peça a eliminação.
Se seus dados já vazaram, o passo a passo está em meu CPF vazou, e agora. Para entender de onde vêm os dados que os golpistas usam, leia por que golpistas sabem seu CPF.