Dá para apagar um vazamento?
Não. Quando uma base de dados é copiada e passa a circular, ninguém consegue recolher todas as cópias. Isso vale para o seu CPF, seu nome, sua data de nascimento e o nome da sua mãe, que quase sempre vêm juntos.
O que você controla são duas coisas: o uso do seu CPF em contas, empresas e linhas novas, e a exposição que continua no ar, como os sites de consulta que mostram seu CPF, endereço e telefone para quem pesquisar. Os passos abaixo cobrem as duas, são gratuitos e usam os canais oficiais.
O que fazer quando o CPF vaza: passo a passo
- Não digite seu CPF em sites que prometem verificar vazamentos. Especialistas ouvidos em reportagem divulgada pelo Idec alertam que esses sites podem servir para confirmar que a pessoa existe, a chamada prova de vida, o que torna seus dados mais úteis para fraudes.
- Ative o BC Protege+, do Banco Central. Com ele, bancos e instituições de pagamento ficam impedidos de abrir conta corrente, poupança ou conta de pagamento pré-paga no seu nome, e de incluir você como titular ou representante na conta de outra pessoa. O serviço é gratuito e fica na área logada do Meu BC, com conta gov.br nível prata ou ouro e verificação em duas etapas. Quando precisar abrir uma conta, você desativa a proteção por um tempo.
- Proteja o CPF contra a abertura de empresas. No Portal Redesim, a opção Proteger meu CPF (Permissão para participar de CNPJ), da Receita Federal, impede que seu CPF entre no quadro de uma empresa, inclusive MEI, em Juntas Comerciais, cartórios de pessoa jurídica e OAB. Você entra com a conta gov.br, escolhe impedir a participação e confirma. Se um dia quiser abrir uma empresa, basta voltar e mudar a escolha.
- Veja se há linhas pré-pagas no seu CPF. O Cadastro Pré, portal das operadoras Algar, Claro, Oi, Sercomtel, TIM e Vivo numa iniciativa da Anatel, mostra em quais delas há linha pré-paga ativa no seu CPF. Ele não mostra os números nem a quantidade de linhas, e não cobre as linhas pós-pagas. Se aparecer uma operadora que você não usa, peça o cancelamento a ela.
- Confira o Registrato. No Registrato, do Banco Central, você emite de graça relatórios das contas que tem em cada instituição, dos empréstimos e financiamentos no seu nome e das suas chaves Pix. Uma conta ou um empréstimo que você não reconhece é sinal de uso indevido: procure a instituição e guarde o protocolo.
- Peça ao Google para esconder seus dados da busca. Na página Privacidade nos resultados sobre você, você descobre e pede a remoção de resultados que mostram seu CPF, telefone, endereço ou e-mail. O resultado some da Pesquisa Google, mas a página continua no site de origem.
- Registre um boletim de ocorrência se seus dados foram usados. Se apareceu conta, empresa, linha ou empréstimo que você não fez, registre a ocorrência na Polícia Civil do seu estado. Muitos estados aceitam o registro pela internet, na delegacia virtual. O boletim ajuda a contestar o débito com o banco ou a operadora.
- Corte a exposição nos sites de consulta. Há sites de consulta que exibem CPF, endereço, telefones e parentes de qualquer pessoa. A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) garante o direito de pedir o bloqueio ou a eliminação desses dados (art. 18, IV e VI), e o modelo de pedido de exclusão mostra como fazer.
Por que os sites de consulta são a parte que você pode mudar
A base vazada você não alcança. Já um site de consulta é uma empresa com nome, CNPJ e um canal para receber pedidos. Ele junta num só lugar o que estava espalhado e entrega a quem pesquisar, o que ajuda a explicar por que golpistas sabem tanto sobre você.
Pela LGPD, você ou um representante com procuração pode fazer o pedido (art. 18, §3º). A empresa pode recusar quando tem base legal para manter o dado, como a proteção ao crédito ou um registro público, e deve dizer por quê. Se ela não responder, veja o que fazer quando a empresa não responde.
A empresa que vazou meus dados tem de me avisar?
Sim, quando o incidente pode trazer risco ou dano relevante. A LGPD obriga o controlador a comunicar a ANPD e as pessoas afetadas (art. 48), e a Resolução CD/ANPD nº 15/2024 fixa o prazo em três dias úteis.
Desconfie de avisos que chegam por SMS, WhatsApp ou ligação pedindo senha, código ou pagamento. Nos incidentes com chaves Pix, o Banco Central informa que as pessoas afetadas são avisadas só pelo aplicativo ou internet banking da própria instituição.
Vazamentos recentes
- 11 de junho de 2026. A Receita Federal afirmou que os dados de 248 milhões de pessoas anunciados à venda vêm de uma base antiga, conhecida desde 2021 e com informações sobretudo de 2019, e que não houve invasão dos seus sistemas. Poder360
- 20 de março de 2026. O Banco Central comunicou a exposição de dados cadastrais de 28.203 chaves Pix da Pefisa entre 30 de agosto de 2025 e 27 de fevereiro de 2026: nome, CPF, instituição, agência e conta. Senhas, saldos e movimentações não foram expostos. Olhar Digital
Onde a mEsquece entra
A mEsquece cuida do último passo. Com a autorização que você dá pelo gov.br, ela envia pedidos da LGPD em seu nome às empresas do catálogo, acompanha o prazo, cobra quem não responde e mostra cada resposta na sua conta. Ela não bloqueia CPF, não vigia a internet inteira e não garante a remoção. Durante o piloto, a entrada é por convite. Veja como funciona.